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terça-feira, 24 de maio de 2011

Cervantes

Havia me esquecido de Miguel de Cervantes. "O conheci" quando estava no primeiro ou segundo ano do colegial e tive que ler sua famosa obra (uma adptação, pois a verdadeira obra possui mais de cem capítulos) "Dom Quixote" em espanhol para a aula de literatura.
Ando lendo bastante frases dele por esses dias, deixo algumas aqui:

"A ingratidão é filha da soberba."

"Onde há música não pode haver coisa má."

"Uma das bases da prudência é não fazer por mal o que se pode fazer por bem."

"Os raios caem sobre os montes mais elevados, e onde encontram mais resistência é onde provocam o maior dano."

"Se o poeta fosse casto nos seus costumes, os seus versos também o seriam. A pena é a língua da alma: como forem os conceitos que nela se conceberem, assim serão os seus escritos."

"Um dos efeitos do medo é perturbar os sentidos e fazer que as coisas não pareçam o que são."

"Nos perigos graves, atropela-se toda a razão."

"Cada um é como Deus o fez, e muitas vezes até pior."

"Quem perde seus bens perde muito; quem perde um amigo perde mais; mas quem perde a coragem perde tudo."

"Pois que o amor e a afeição com facilidade cegam os olhos do entendimento."

"A verdade alivia mais do que magoa. E estará sempre acima de qualquer falsidade como o óleo sobre a água."

"Segui o vosso caminho e não deis conselhos a quem não vo-lo pede."

"O pesar e o prazer andam tão emparelhados que tanto se desnorteia o triste que desespera quanto o alegre que confia."

"Brincadeiras que causam dor não são brincadeiras."


E em tempos como esse, gostaria que "os dragões sejam moinhos de vento."

quarta-feira, 6 de abril de 2011

“A vida é um piano. Teclas brancas representam a felicidade e as pretas a angústia. Com o passar do tempo você percebe que as teclas pretas também fazem música.”

(A última Música)

segunda-feira, 4 de abril de 2011

“Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. (…) As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora.

Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração.

E o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. (…) Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante. Encerrando ciclos.

Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.”

- Fernando Pessoa.

quarta-feira, 30 de março de 2011

"Aprender a se colocar em primeiro lugar não é egoísmo."

Charles Chaplin

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O Fantasma da Ópera

Por José Carlos Cancelli

Por que analisamos filmes e outras obras de qualquer natureza com um olhar da psicologia? Porque aquelas obras que se perpetuam trazem em seu bojo conteúdos de nossa história, assim como os contos de fadas. O musical “O Fantasma da Ópera” se inclui nesse repertório. Há mais de dez anos em cartaz em várias partes do mundo, com várias montagens para teatro e cinema, em diversos países, essa peça está em cartaz no Brasil há mais de nove meses. O que atrai tantas pessoas?

O musical retrata um período específico da vida de uma corista, membro do corpo de baile do teatro e principal protagonista, chamada Christine. Por uma série de eventos ela é levada ao posto de prima-dona.

Christine perdeu o pai aos sete anos e lembra que ele lhe dizia que “quando fosse para o céu, lhe mandaria o anjo da música.” O pai era um violinista famoso.

No teatro, cuidada pela professora que também é a responsável pelo corpo de baile, Christine é ensinada a cantar por alguém que ela não vê, só escuta. Ela supõe que seja o “anjo da música” do qual o pai falava. Ela teme e admira essa figura idealizada.

Há um novo benfeitor do teatro que é um amigo de infância de Christine. O reencontro reascende um amor infantil.

Após a estréia de Christine e seu sucesso, o Conde, seu amigo de infância, quer comemorar com ela. Christine responde que o “anjo da música é muito exigente e não permitirá”. O fantasma finalmente aparece e a leva para os subterrâneos do teatro a fim de comemorar o sucesso dela. Os versos cantados pelo fantasma dizem “o que eles vêm é você, mas o que ouvem é a mim”.

Durante todo o desenrolar da peça o que se vê é a disputa entre o Conde e o Fantasma e o conflito de Christine.

Para que possa amar outro homem, Christine precisa se libertar do “Anjo da Música”, a quem ela transferiu o papel de pai (o detentor da lei) e a quem ama, venera e teme”. Até a chegada do “cavalheiro”, amigo de infância (o Conde), Christine não questionou a autoridade e o poder do “Anjo da Música”. Quando ela acorda de seu sono adolescente (curiosamente a atriz tinha 16 anos quando fez o filme) percebe novos impulsos e desejos. Um mundo não mais fantasioso e etéreo como o do “Anjo da Música”, mas concreto e que a remete aos jogos infantis. Há um desejo renascendo em um novo patamar.

Para que Christine possa seguir esse caminho deve compreender que o “Anjo da Música” não é um anjo mandado pelo pai, não é seu pai. Ele é um homem como qualquer outro, que não detém a lei, o falos. Somente quando ela assim o perceber estará livre para amar outro homem. O primeiro momento é quando o fantasma perde a luta com o pretendente de Christine, no cemitério. Nessa hora, seu pretendente, um aspecto mais concreto do masculino, fala para Christine: “ele é só um homem…!”. O segundo momento ocorre quando ela é capaz de perdoá-lo, na cena final, na caverna.

Do início do filme - quando ela revê o amigo de infância, até o seu final, quando entrega do anel ao “fantasma”, há uma transferência gradual de poder entre as duas figuras masculinas. Aquele anjo, figura poderosa que a seduz e a quem ela deseja começa a perder seu poder quando busca concretizar sua posse. Por outro lado o aspecto “terreno” desse masculino mostra-se cada vez mais próximo dos desejos e anseios concretos de Christine. Vejo isso demonstrado na cena no terraço do teatro quando ela pede que ele a proteja e faça da vida dela um “verão” em contra ponto com a “vida de sombras” e etérea oferecida pelo fantasma.

Lacan destaca bem esse momento quando fala da transferência dofalos entre as figuras do triângulo edípico – mãe, criança, pai. São três momentos.

No início, o falos está com a mãe que é a provedora da criança. Esta necessita de seu amor e vê na mãe a lei, o falos. Seu desejo é o desejo da mãe. Podemos inferir que a personagem “Carlota” (a prima-dona oficial do teatro) age como uma mãe castradora, que não deixa a filha crescer. Quando o pai entra na relação ele demonstra um poder superior ao da mãe “tomando” o falos para si, libertando a criança de sua relação simbiótica com a mãe. O desejo da criança é então o desejo do pai. Este é o momento inicial do musical. Uma das canções diz que o público vê Christine, mas que a música é do Fantasma. Ela é um produto dele. Em um terceiro momento do Édipo Lacaniano, a criança percebe que, na verdade, até o pai está subordinado a essa lei, transferindo assim o falos para outra instância, a realidade concreta do dia-a-dia, fora do teatro, apresentada pelo Conde. Desse modo, ela se liberta para a vida.

Enfim, um fantasma assombrando o início da vida de uma mulher. Mas esse feminino ainda tem um longo caminho para ser um ser individual. Na verdade, ela está transferindo da figura do fantasma para a do Conde a sua dependência. É um ego mais real, com certeza, mas ainda não individuado.

Sob um ponto de vista arquetípico, o aspecto negativo do animus assombra seu relacionamento com os homens. É necessário enfrentar e transformar esse aspecto para que um relacionamento satisfatório possa ocorrer. De qualquer forma esse aspecto, imagino que negativo pelo fato de ela ter tido pouco relacionamento com homens (seu pai morre quanto tem sete anos) e ela não sabe como lidar com isso, mostra a ela um mundo interior e divino, muito mais amplo que a vida rotineira dos ensaios do teatro. Tanto que ela se destaca do corpo de dançarinas justamente pelo acesso que tem a esse aspecto doanimus. Mas Christine não pode viver somente uma vida interior, no santuário interno onde reza ao pai e ouve a voz do “anjo”. Para crescer como ser, ela necessita viver a realidade. Isso se dá pelo desenvolvimento de um novo aspecto do animus projetado no seu amigo de infância. Ela então tem que optar: ou fica junto ao “anjo” que lhe revelará os mistérios do mundo “divino”, ou junto ao seu amigo de infância que lhe apresentará um tipo de vida concreto, mais próximo de seu ego. Qualquer opção, nesse momento de sua vida, exclui a outra. Na primeira ela “morre” para o mundo e permanece no coletivo, no desejo do outro, dominada pelo arquétipo. Na segunda, ela faz a opção pela vida. Por trilhar um caminho de crescimento.

Essa abordagem remete ao conto “A Bela e a Fera” que contém o mesmo mitologema dos contos de fada em que a princesa está presa na torre.Somente quando a “Bela” se apaixona pela “Fera”, esse aspecto ameaçador do arquétipo se modifica. Realmente a personagem do filme está presa na “torre” e é necessário que ela compreenda a natureza de seu algoz para poder se libertar.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

"Porque, há muito, eu erro a mão. A dose...Porque parte acelera na estrada, no momento da curva fechada. Pé direito até o fim, enquanto outra freia, bruscamente, ao ver a primeira placa. Seta torta, avisando sobre o perigo. Metade berra. Outra sussurra. Uma parte que precisa de calor, carinho, pés com pés. Outra que sobrevive sozinha.
Metade auto-suficiente. Há dias em que uso a metade que não poderia. Dias em que me arrependo de ter usado a que não gostaria. Porque elas brigam dentro de mim, as metades. Há algumas mais fortes. Outras ferozes. Há partes quase indomáveis"

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Roupas sujas

Se você se sente insegura quando pensa, simples: o segredo é não pensar!
Por exemplo, imagine-se numa bela manhã. E nesta manhã você se vê rodeada por uma montanha de roupas imundas. É tanta roupa suja que você mal consegue se mover. Sem o auxílio de uma máquina de lavar, você terá de lavar tudo à mão, peça a peça. E então você se sente perdida. Será que conseguirei lavar tudo? Será que todas ficarão perfumadas? Conseguirei alcançar o resultado esperado? E quanto mais você pensa, mais insegura fica. Mas o senhor tempo não quer te esperar. E então? O que você faz? Que tal começar a lavar? E começar pelas peças mais próximas? Pensar no futuro é necessário. Mas se fizer somente isso, vai acabar tropeçando nas roupas que estão logo aos seus pés, não acha? Pense no “agora”. É importante pensar no que pode ser feito aqui e agora. Se você resolver lavar com calma, uma a uma, quando finalmente parar para notar, verá que o sol já estará sorrindo pra você. Isso não impede que a insegurança tente aparecer de novo, mas se isso acontecer, é só dar uma pausa. Então aproveite e leia um livro, assista à tv. Ou convide todos para comer.



Furuba. (Considerando que conheci o texto pela Raíssa, provavelmente é algum desenho japonês, coreano, sei lá...)

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

'Tem coisas que o coração só fala para quem sabe escutar.'

Chico Xavier

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Essa mania de mãos...


Para que servem as mãos?
As mãos servem para pedir, prometer, chamar, conceder,
ameaçar, suplicar, exigir, acariciar, recusar, interrogar, admirar,
confessar, calcular, comandar, injuriar, incitar, teimar, encorajar,
acusar, condenar, absolver, perdoar, desprezar, desafiar, aplaudir,
reger, benzer, humilhar, reconciliar, exaltar, construir, trabalhar, escrever......
As mãos de Maria Antonieta, ao receber o beijo de Mirabeau,
salvou o trono da França e apagou a auréola do famoso revolucionário;
Múcio Cévola queimou a mão que, por engano não
matou Porcena;
foi com as mãos que Jesus amparou Madalena;
com as mãos David agitou a funda que matou Golias;
as mãos dos Césares romanos decidiam a sorte dos
gladiadores vencidos na arena;
Pilatos lavou as mãos para limpar a consciência;
os anti-semitas marcavam a porta dos judeus com as mãos
vermelhas como signo de morte!
Foi com as mãos que Judas pôs ao pescoço o laço que os
outros Judas não encontram.
A mão serve para o herói empunhar a espada e
o carrasco, a corda; o operário construir e o burguês destruir;
o bom amparar e o justo punir; o amante acariciar e o ladrão roubar;
o honesto trabalhar e o viciado jogar.
Com as mãos atira-se um beijo ou uma pedra, uma flor
ou uma granada, uma esmola ou uma bomba!
Com as mãos o agricultor semeia e o anarquista incendeia!
As mãos fazem os salva-vidas e os canhões; os remédios
e os venenos; os bálsamos e os instrumentos de tortura,
a arma que fere e o bisturi que salva.
Com as mãos tapamos os olhos para não ver, e com elas
protegemos a vista para ver melhor.
Os olhos dos cegos são as mãos.
As mãos na agulheta do submarino levam o homem
para o fundo como os peixes; no volante da aeronave
atiram-nos para as alturas como os pássaros.
O autor do "Homo Rebus" lembra que a mão foi o primeiro
prato para o alimento e o primeiro copo para a bebida;
a primeira almofada para repousar a cabeça,
a primeira arma e a primeira linguagem.
Esfregando dois ramos, conseguiram-se as chamas.
A mão aberta,acariciando, mostra a bondade; fechada
e levantada mostra a força e o poder; empunha a espada
a pena e a cruz!
Modela os mármores e os bronzes; da cor às telas
e concretiza os sonhos do pensamento e da fantasia
nas formas eternas da beleza.
Humilde e poderosa no trabalho, cria a riqueza;
doce e piedosa nos afetos medica as chagas, conforta
os aflitos e protege os fracos.
O aperto de duas mãos pode ser a mais sincera confissão
de amor, o melhor pacto de amizade ou um juramento
de felicidade.
O noivo para casar-se pede a mão de sua amada;
Jesus abençoava com a s mãos;
as mães protegem os filhos cobrindo-lhes com as
mãos as cabeças inocentes.
Nas despedidas, a gente parte, mas a mão fica,
ainda por muito tempo agitando o lenço no ar.
Com as mãos limpamos as nossas lágrimas e as lágrimas alheias.
E nos dois extremos da vida, quando abrimos os olhos para o mundo e quando os fechamos para sempre ainda as mãos prevalecem.
Quando nascemos, para nos levar a carícia do primeiro beijo, são as mãos maternas que nos seguram o corpo pequenino.
E no fim da vida, quando os olhos fecham e o coração pára, o corpo gela e os sentidos desaparecem, são as mãos, ainda brancas de cera que continuam na morte as funções da vida.
E as mãos dos amigos nos conduzem...
E as mãos dos coveiros nos enterram!

MONÓLOGO DAS MÃOS - Ghiaroni (imortalizado por Procópio Ferreira).

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Dream Catchers

Os sonhos desempenhavam um papel fundamental na vida dos Ojibwe. Para este povo que vivia na região dos Grandes Lagos americanos e que hoje também se espalha por outras regiões do Novo México, aprender a decifrar as mensagens reveladas nos sonhos era a tarefa mais importante que as pessoas tinham durante sua passagem pela Terra. Por causa disto, o dream catcher era uma ferramenta essencial.

O filtro de sonhos, como ficou conhecido em português, na verdade, não é um filtro, é uma teia. Os Ojibwe acreditam que, quando a noite cai, o ar se enche de sonhos, bons e ruins. Alguns destes sonhos, mesmo sendo pesadelos, podem conter uma mensagem importante do Grande Espírito para nós. Então, na verdade, estes sonhos são bons sonhos. Mas existem muitos outros sonhos e energias ruins flutuando à nossa volta e que não são nossos. Estes é que podem nos fazer mal. É justamente para separar estes sonhos e energias ruins que existem os dream catchers.

A tradição manda que as teias coloridas sejam penduradas sobre o berço dos bebês e a caminha das crianças. Os sonhos bons, sabendo exatamente aonde ir, conseguem passar pelo buraco central da teia, ao passo que os sonhos ruins ficam perdidos e acabam presos nos fios. Quando os primeiros raios de sol surgem, os sonhos maus desaparecem. Os círculos são feitos com ramos flexíveis de salgueiros e revestidos com tiras de couro.

Uma pena é colocada no centro, representando o ar ou a respiração, essencial para a vida. O bebê, observando a pena dançar ao vento, aprende uma lição sobre a importância do ar. Além disto, a pena de coruja, feminina, simboliza a sabedoria. A pena de águia, masculina, serve para dar coragem.

Para captar os sonhos dos adultos, os dream catchers são trançados em fibra e não com ramos de salgueiros. Por isso são mais resistentes.

Uma das lendas relacionadas aos dream catchers:


Uma aranha fiava sua teia próximo à cama da avó (Nokomi). Todos os dias ela observava a aranha trabalhar. Alguns dias depois, o neto entrou e, ao ver a aranha na teia, pegou uma pedra para matá-la. Mas a avó não deixou. O garoto achou estranho, mas respeitou o seu desejo. A velha mulher voltou-se para observar mais uma vez o trabalho do animal e, então, a aranha falou: Obrigada por salvar minha vida. Vou dar-lhe um presente por isso. Na próxima Lua nova vou fiar uma teia na sua janela. Quero que você observe com atenção e aprenda como tecer os fios. Porque esta teia vai servir para capturar todos os maus sonhos e as energias ruins. O pequeno furo no centro vai deixar passar os bons sonhos e fazê-los chegarem até você.
Quando a Lua chegou, a avó viu a aranha tecer sua teia mágica e, agradecida, não cabia em si de felicidade pelo maravilhoso presente: Aprenda, dizia a aranha. Finalmente, exausta, a avó dormiu. Quando os primeiros raios de sol surgiram no céu, ela acordou e viu a teia brilhando como jóia graças às gotas de orvalho capturadas nos fios. A brisa trouxe penas de pomba que também ficaram presas na teia, dançando alegremente e, por último, um corvo pousou na teia e deixou uma longa pena pendurada. Por entre as malhas da teia, o Pai Sol sorria alegremente. E a avó, feliz, ensinou todos da tribo a fazerem os filtros de sonhos. E até hoje eles vêm afastando os pesadelos de muita gente.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Brilha a onde estiver!


Ela fixara em Deus aquele olhar de esmeralda diluída, uma leve poeira de ouro no fundo. E não obedeceria porque gata não obedece. Às vezes, quando a ordem coincide com sua vontade, ela atende mas sem a instintiva humildade do cachorro, a gata não é humilde, traz viva a memória da sua liberdade sem coleira. Despreza o poder porque despreza a servidão. Nem servo de Deus. Nem servo do Diabo.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Filosofia do Camelo

Uma mãe e um bebê camelo, estavam por ali, à toa, quando de repente o bebê camelo perguntou:

- Por que os camelos tem corcovas?

- Bem, meu filhinho, nós somos animais do deserto, precisamos das corcovas para reservar água e por isso somos conhecidos por sobreviver sem água.

- Certo, e por que nossas pernas são longas e nossas patas arredondadas?

- Filho, elas são assim para permitir caminhar no deserto. Com essas pernas longas eu mantenho meu corpo longe do chão do deserto que é mais quente que a temperatura do ar e assim fico mais longe do calor. Quanto às patas arredondadas, eu posso me movimentar melhor devido à consistência da areia! disse a mãe.

- Entendi, mas, por que nossos cílios são tão longos? De vez em quando eles atrapalham a minha visão.

- Meu filho! Esses cílios longos e grossos são como uma capa protetora para os olhos. Eles ajudam na proteção dos seus olhos quando atingidos pela areia e pelo vento do deserto! respondeu a mãe com orgulho.

- Tá. Então a corcova é para armazenar água enquanto cruzamos o deserto, as pernas para caminhar através do deserto, e os cílios são para proteger meus olhos do deserto.

Então, o que é que estamos fazendo aqui no Zoológico?

Moral da história:

Habilidade, conhecimento, capacidade e experiências, só são úteis se você estiver no lugar certo!


Você está no lugar certo?

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

“Podemos julgar o coração de um homem pela forma como ele trata os animais.”
(Immanuel Kant)

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Maysa


Desde pequena conhecia algumas canções e um pouco da história, pois minha vó (responsável por me apresentar o lado bom, a cultura da música - especialmente brasileira) era grande fã da Maysa. Com a minissérie Maysa- Quando fala o coração, passei a apreciar ainda mais a cantora, pela sua música e mais pela sua personalidade!
Algumas frases retiradas da minissérie:


Tudo que eu gosto tem sabor de pecado, é feio, censurado, fora da lei, engorda e faz mal pra saúde…

Existem tantas pessoas nesse mundo que se eu fosse ser o que cada um pensa de mim eu seria várias. Mas não, eu sou só uma. Só não sei qual delas.

Apanhei, apanhei sempre. E não aprendi nunca. Sim, vou morrer brigando, mas sem abaixar a cabeça.

Queria amar sem sofrer, com calma…
mas não tem jeito, eu não sou assim…
Sou passional em tudo que sinto, em tudo que faço.

Liberdade é correr riscos, é viver em fulga, é viver escondendo-se de tudos e de todos, é viver imensamente todas as loucuras maravilhosas do perigo e do proibido!

Eu odeio pessoas que entram num bar e não bebem. Eu odeio testemunhas… Um bar é um templo: entrou, tem que beber!

Eu considero masoquismo aturar sem queixa uma porção de pessoas, eu detesto gente burra e vivo me encontrando com elas.

- Meu whisk onde está ?
- Na sua mão Maysa.
- Eu to falando da garrafa.

Há gritos incríveis dentro de mim, que me povoam da mais imensa solidão.

Adão e Eva cansados do marasmo e da monotonia da vida que viviam, tendo o fruto proibido como tentação, resolveram comer a merenda antes do recreio. O que aconteceu? Foram expulsos do paríso. Mas deram graças ao bom Deus, se livraram das folhas de parreira e passaram a viver permanentemente em festa, porque o paraíso é um saco.

Legal? Ou ilegal? Que seja!

Me deixe só, errada e complicada.

Só digo o que penso, só falo o que gosto e aquilo que penso.

Eu não gosto de conto-de-fadas, meu negócio é a realidade.

Não vou te esquecer nunca. Porque um canalha a gente nunca esquece.

Quando eu era pequena queria ser homem , negro, pianista e bebado. Homem, pianista e negro eu não consegui, agora bebado…

Nunca haja pela razão, ela é fria e muitas vezes indiferente, haja sempre pelo coração.

Esse papo de sublimidade, pureza, integridade e desinteresse, não passam de belos disfarces para as segundas intenções.

Vocês homens não são de nada. Quando encontram uma mulher de verdade, que fala o que pensa, broxam.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

All you need...


Percebi que cuidar do próximo é a melhor forma de esquecer os próprios problemas e, melhor ainda, se isto for feito com muito bom humor e principalmente amor.

Quando você cuida de alguém que realmente está precisando, você vira um herói. Porque o arquétipo de herói é a pessoa que, se precisar, enfrenta a escuridão e segue com amor e coragem porque acredita que algo pode ser mudado para melhor.

(Patch Adams - O amor é contagioso)

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Sing to me the song of the stars.


O Sol entra pela varanda de cortinas afastadas.
Recorda-se a minha sombra incerta, perto do piano, ao canto da sala.
Deslizo suavemente os dedos pelas teclas, o som propaga-se inocente e pueril. Desafinado pela falta de uso.
Letras de música soltas.
Páginas em branco.
Branco o coração que escuta a melodia.
Negro sustenido pela
tua ausência.
Sento-me.
A música passa pelos dedos até chegar a ti. - Onde quer que estejas.

Uma clave de sol pousa-me no olhar, música à flor da pele pelos teus dedos tocada.


Desconheço o autor, mas agradeço quem me mostrou o texto e as mais belas notas tocadas.


Ou entre, ou saia
Mas feche a porta
... Está ventando!

(A História sem Fim - Michael Ende)

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Um dia...


... percebemos que beijar uma pessoa pra esquecer outra é bobagem.
Você não só não esquece a outra pessoa como pensa muito mais nela!
Um dia nós percebemos que as mulheres têm instinto "caçador" e fazem qualquer homem sofrer.
Um dia descobrimos que se apaixonar é inevitável.
Um dia percebemos que as melhores provas de amor são as mais simples.
Um dia percebemos que o comum não nos atrai.
Um dia saberemos que ser classificado como "bonzinho" não é bom.
Um dia perceberemos que a pessoa que nunca te liga é a que mais pensa em você.
Um dia saberemos a importância da frase: "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas..." !!
Um dia percebemos que somos muito importante para alguém, mas não damos valor a isso.
Um dia percebemos como aquele amigo faz falta, mas ai já é tarde demais.
Enfim...
Um dia descobrimos que apesar de viver quase um século esse tempo todo não é suficiente para realizarmos
todos os nossos sonhos, para beijarmos todas as bocas que nos atraem, para dizer o que tem de ser dito...
O jeito é: ou nos conformamos com a falta de algumas coisas na nossa vida
ou lutamos para realizar todas as nossas loucuras!
Quem não compreende um olhar tampouco compreenderá uma longa explicação.

Mário Quintana

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

- E você, por que desvia o olhar?

(Porque eu tenho medo de altura. Tenho medo de cair para dentro de você. Há nos seus olhos castanhos certos desenhos que me lembram montanhas, cordilheiras vistas do alto, em miniatura. Então, eu desvio os meus olhos para amarra-los em qualquer pedra no chão e me salvar do amor. Mas, hoje, não encontraram pedra. Encontraram flor. E eu me agarrei às pétalas o mais que pude, sem sequer perceber que estava plantada num desses abismos, dentro dos seus olhos.)

- Porque eu sou tímida.

(Rita Apoena)