domingo, 27 de fevereiro de 2011

A insensível - parte 2



Como boa insensível que sou, repito:

"Quem nasce Pateta nunca vira Mickey Mouse."

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

1:57 AM

(...)
Você me trouxe uma calma assustadora. Cavou até encontrar uma fé que há muito estava escondida. Fez com que meus olhos brilhassem...
Minha fala ficou mansa, meus movimentos em ritmos menores e até que cuidadosos, meu sorriso sereno e meu coração disparado em tremenda euforia. (...)



16/02/2011

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Decode

How can I decide what's right,
when you're clouding up my mind?
I can't win your losing fight.
All the time.

Now can I ever own what's mine,
when you're always taking sides?
You won't take away my pride.
No, not this time...Not this time.

How did we get here,
When I used to know you so well?
But how did we get here!?
Well, I think I know.

This truth is hiding in your eyes,
And it's hanging on your tongue.
Just boiling in my blood, but you think that I can't see.
What kind of man that you are?
If you're a man at all.
Well, I'll figure this one out
On my own...
I'm screaming "I love you so"...
(But my thoughts you can't decode)

How did we get here,
when I used to know you so well?
Yeah, yeah
How did we get here!?
Well, I think I know.

Do you see what we've done?
We've gone and made such fools of ourselves.
Do you see what we've done?
We've gone and made such fools of ourselves.

How did we get here,
when I used to know you so well?
Oh, how did we get here,
when I used to know you so well?

I think I know.
I think I know.
There is something I see in you.
It might kill me, I want it to be true.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Destinário oculto

(Texto escrito em janeiro de 2010, creio eu)

Você é a única pessoa com a qual eu gostaria de estar agora e isso me deixa louca - ou não.

Já me conformei com o desejo de querer que você deixou de mim desde a primeira vez em que me tocou. Já me acostumei em ter você nos meus pensamentos na maior parte do tempo; em demorar para pegar no sono, pensando em como será que você está sem mim agora (mesmo sabendo que está a mesma coisa, talvez até melhor) e, ao acordar, demorar ainda mais para levantar-me, pois fico pensando se será esse o dia em que você retornará, seja de que maneira for. E o principal: já aceitei para mim levar esse querer, esse gostar comigo, até ele deixar de ser novidade e habitar minha alma tranquilamente.

Não vou esquecer. Não quero esquecer. Não gosto de esquecer. Só esquecemos o que, de fato, não nos teve significado algum. E você teve. Você sabe que teve.

Isso já me ocorreu antes, de maneira diferente, claro, mas já me ocorreu. Faz tempo, muito até considerando os poucos anos que tenho. Foi mágico, foi lindo. Aliás, ainda é, pois eu não esqueci. Guardo cá comigo com muito carinho, mas não saudade. Saudade a gente sente quando algo foi incompleto, ou ao menos até entendermos, aceitarmos que foi completo.

Espero, em algum momento, entender, aceitar o quão completo foi o que ocorreu entre nós. Que, usando um pouco de clichê agora, durou o tempo necessário para ser inesquecível.

Ora, mas que tolice estou falando? Se sei que, verdadeiramente, bem no fundo - ou não - sempre pensarei na nossa amizade, completamente desmoronada, por conta de nossa avassaladora aventura e que, de certa maneira, a culpa foi minha. Sempre aguardarei que, em relação a isso, a nossa amizade, a situação de agora tome caminhos diferentes.

Não há mais o que se falar, preciso ver uma maneira de terminar esse texto. O modo convencional, e também mais fácil, seria dizendo algo como "Não queria que tudo estivesse dessa maneira. Eu amo você e te espero de volta". Mas meu fim não será assim, até porque não estou encarando as coisas desse modo.

Termino dizendo que, apesar dos pesares, encontrei mais alguém que marcou em mim e que isso me faz bem.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O Fantasma da Ópera

Por José Carlos Cancelli

Por que analisamos filmes e outras obras de qualquer natureza com um olhar da psicologia? Porque aquelas obras que se perpetuam trazem em seu bojo conteúdos de nossa história, assim como os contos de fadas. O musical “O Fantasma da Ópera” se inclui nesse repertório. Há mais de dez anos em cartaz em várias partes do mundo, com várias montagens para teatro e cinema, em diversos países, essa peça está em cartaz no Brasil há mais de nove meses. O que atrai tantas pessoas?

O musical retrata um período específico da vida de uma corista, membro do corpo de baile do teatro e principal protagonista, chamada Christine. Por uma série de eventos ela é levada ao posto de prima-dona.

Christine perdeu o pai aos sete anos e lembra que ele lhe dizia que “quando fosse para o céu, lhe mandaria o anjo da música.” O pai era um violinista famoso.

No teatro, cuidada pela professora que também é a responsável pelo corpo de baile, Christine é ensinada a cantar por alguém que ela não vê, só escuta. Ela supõe que seja o “anjo da música” do qual o pai falava. Ela teme e admira essa figura idealizada.

Há um novo benfeitor do teatro que é um amigo de infância de Christine. O reencontro reascende um amor infantil.

Após a estréia de Christine e seu sucesso, o Conde, seu amigo de infância, quer comemorar com ela. Christine responde que o “anjo da música é muito exigente e não permitirá”. O fantasma finalmente aparece e a leva para os subterrâneos do teatro a fim de comemorar o sucesso dela. Os versos cantados pelo fantasma dizem “o que eles vêm é você, mas o que ouvem é a mim”.

Durante todo o desenrolar da peça o que se vê é a disputa entre o Conde e o Fantasma e o conflito de Christine.

Para que possa amar outro homem, Christine precisa se libertar do “Anjo da Música”, a quem ela transferiu o papel de pai (o detentor da lei) e a quem ama, venera e teme”. Até a chegada do “cavalheiro”, amigo de infância (o Conde), Christine não questionou a autoridade e o poder do “Anjo da Música”. Quando ela acorda de seu sono adolescente (curiosamente a atriz tinha 16 anos quando fez o filme) percebe novos impulsos e desejos. Um mundo não mais fantasioso e etéreo como o do “Anjo da Música”, mas concreto e que a remete aos jogos infantis. Há um desejo renascendo em um novo patamar.

Para que Christine possa seguir esse caminho deve compreender que o “Anjo da Música” não é um anjo mandado pelo pai, não é seu pai. Ele é um homem como qualquer outro, que não detém a lei, o falos. Somente quando ela assim o perceber estará livre para amar outro homem. O primeiro momento é quando o fantasma perde a luta com o pretendente de Christine, no cemitério. Nessa hora, seu pretendente, um aspecto mais concreto do masculino, fala para Christine: “ele é só um homem…!”. O segundo momento ocorre quando ela é capaz de perdoá-lo, na cena final, na caverna.

Do início do filme - quando ela revê o amigo de infância, até o seu final, quando entrega do anel ao “fantasma”, há uma transferência gradual de poder entre as duas figuras masculinas. Aquele anjo, figura poderosa que a seduz e a quem ela deseja começa a perder seu poder quando busca concretizar sua posse. Por outro lado o aspecto “terreno” desse masculino mostra-se cada vez mais próximo dos desejos e anseios concretos de Christine. Vejo isso demonstrado na cena no terraço do teatro quando ela pede que ele a proteja e faça da vida dela um “verão” em contra ponto com a “vida de sombras” e etérea oferecida pelo fantasma.

Lacan destaca bem esse momento quando fala da transferência dofalos entre as figuras do triângulo edípico – mãe, criança, pai. São três momentos.

No início, o falos está com a mãe que é a provedora da criança. Esta necessita de seu amor e vê na mãe a lei, o falos. Seu desejo é o desejo da mãe. Podemos inferir que a personagem “Carlota” (a prima-dona oficial do teatro) age como uma mãe castradora, que não deixa a filha crescer. Quando o pai entra na relação ele demonstra um poder superior ao da mãe “tomando” o falos para si, libertando a criança de sua relação simbiótica com a mãe. O desejo da criança é então o desejo do pai. Este é o momento inicial do musical. Uma das canções diz que o público vê Christine, mas que a música é do Fantasma. Ela é um produto dele. Em um terceiro momento do Édipo Lacaniano, a criança percebe que, na verdade, até o pai está subordinado a essa lei, transferindo assim o falos para outra instância, a realidade concreta do dia-a-dia, fora do teatro, apresentada pelo Conde. Desse modo, ela se liberta para a vida.

Enfim, um fantasma assombrando o início da vida de uma mulher. Mas esse feminino ainda tem um longo caminho para ser um ser individual. Na verdade, ela está transferindo da figura do fantasma para a do Conde a sua dependência. É um ego mais real, com certeza, mas ainda não individuado.

Sob um ponto de vista arquetípico, o aspecto negativo do animus assombra seu relacionamento com os homens. É necessário enfrentar e transformar esse aspecto para que um relacionamento satisfatório possa ocorrer. De qualquer forma esse aspecto, imagino que negativo pelo fato de ela ter tido pouco relacionamento com homens (seu pai morre quanto tem sete anos) e ela não sabe como lidar com isso, mostra a ela um mundo interior e divino, muito mais amplo que a vida rotineira dos ensaios do teatro. Tanto que ela se destaca do corpo de dançarinas justamente pelo acesso que tem a esse aspecto doanimus. Mas Christine não pode viver somente uma vida interior, no santuário interno onde reza ao pai e ouve a voz do “anjo”. Para crescer como ser, ela necessita viver a realidade. Isso se dá pelo desenvolvimento de um novo aspecto do animus projetado no seu amigo de infância. Ela então tem que optar: ou fica junto ao “anjo” que lhe revelará os mistérios do mundo “divino”, ou junto ao seu amigo de infância que lhe apresentará um tipo de vida concreto, mais próximo de seu ego. Qualquer opção, nesse momento de sua vida, exclui a outra. Na primeira ela “morre” para o mundo e permanece no coletivo, no desejo do outro, dominada pelo arquétipo. Na segunda, ela faz a opção pela vida. Por trilhar um caminho de crescimento.

Essa abordagem remete ao conto “A Bela e a Fera” que contém o mesmo mitologema dos contos de fada em que a princesa está presa na torre.Somente quando a “Bela” se apaixona pela “Fera”, esse aspecto ameaçador do arquétipo se modifica. Realmente a personagem do filme está presa na “torre” e é necessário que ela compreenda a natureza de seu algoz para poder se libertar.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

"Porque, há muito, eu erro a mão. A dose...Porque parte acelera na estrada, no momento da curva fechada. Pé direito até o fim, enquanto outra freia, bruscamente, ao ver a primeira placa. Seta torta, avisando sobre o perigo. Metade berra. Outra sussurra. Uma parte que precisa de calor, carinho, pés com pés. Outra que sobrevive sozinha.
Metade auto-suficiente. Há dias em que uso a metade que não poderia. Dias em que me arrependo de ter usado a que não gostaria. Porque elas brigam dentro de mim, as metades. Há algumas mais fortes. Outras ferozes. Há partes quase indomáveis"